domingo, julho 23, 2006

o Deus de Espinosa

do Livro de António Damásio - Ao Encontro de Espinosa “O sistema de Espinosa inclui Deus, mas não um Deus providente concebido à imagem dos homens. Deus é a origem de tudo o que está perante os nossos sentidos, uma substância sem causa, eterna, e com atributos definidos. Mas Deus é também tudo quanto há. Deus é a natureza, e a sua manifestação mais evidente são as criaturas vivas. Essas ideias são expressas num espinosismo bem conhecido. A expressão DEUS SIVE NATURA - Deus ou Natureza. Deus não se revelou aos seres humanos da maneira apresentada na bíblia. Não é possível rezar ou suplicar ao Deus de Espinosa. Não há que ter medo desse Deus porque ele não distribui castigos. Nem há que fazer nenhum esforço para dele obter recompensas. A única coisa a temer é o nosso próprio comportamento. Quando somos menos que amáveis para os outros, punimo-nos a nós próprios, nesse exacto momento, e negamo-nos a oportunidade de atingir a paz interior, nesse exacto momento. Nesse sistema, as nossas acções não devem visar o agrado de Deus, mas sim conformar-se com a natureza de Deus. Quando agimos de acordo com a natureza de Deus, produzimos a felicidade e a salvação – SALUS – resulta de ocasiões repetidas dessa espécie de felicidade que se acumulam e desse modo produzem uma condição mental saudável”

domingo, julho 16, 2006

Transpessoal...

Transpessoal corresponde àquilo que, como a própria etimologia do termo indica, transcende o pessoal, entendendo-se o pessoal como o egótico (o ego), o eu ilusório e, por isso, o irreal. Representa uma orientação sob a qual se combinam diversas disciplinas, tais como: Física, Naturalismo, Ecologia, Biologia, Dietética, Filosofia, Metafísica e Teologia, entre muitas outras, que tendem para uma conexão recíproca, reconhecendo a interdependência entre tudo o que existe. A abordagem Transpessoal é uma área da psicologia que estuda as possibilidades psíquicas (mentais, emocionais, intuitivas e somato-sensoriais) do ser humano pelos diferentes estados ou graus de consciência pelos quais passa a pessoa. Em cada um destes estados de consciência (que são vários, alguns ainda desconhecidos) é experimentada uma forma diferente de se perceber ou interpretar a realidade. A Psicologia Transpessoal, portanto, volta-se para o estudo destes diversos estados, não os encarando como contrários, mas como complementares, dando, porém, especial ênfase aqueles estados de consciência superiores, espirituais ou “transpessoais”, porque em tais estados, o sentimento de separação e de egoísmo torna-se um segundo plano em relação a um sentimento e identificação mais ampla, cooperativa, fraternal, transpessoal para com todos os seres vivos (consciência crística, búdica, nirvânica, universal ou ecológica). No entanto, a Psicologia Transpessoal não recusa o ego, assumindo-se como uma alternativa a seguir, mas considera o ego como uma etapa necessária e iniludível para alcançar a transcendência. Essa transcendência define-se pela consciência superior, ou do EU superior ou espiritual. Todos nós podemos esperimentar "picos" desta consciência, em intuições ou rasgos de lucidez ou insigths, mas muitas vezes o lado racional (hemisfério esquerdo) dominante impede que os aproveitemos ou sequer reconheçamos. Pelo contrário, os chamados grandes mestres, quer religiosos (Cristo, Buda, Francisco de Assis), quer científicos (Einstein, Tesla, Heisenberg), quer políticos (Gandhi, Luther King), quer artísticos (Bach, Da Vinci) experimentaram, em graus variáveis, estes picos de “Consciência Cósmica” que mudaram não só suas próprias percepções da realidade, como ajudaram a outros (embora de modo diferente, pois a experiência não pode ser facilmente posta em palavras) a atingirem ao menos uma intuição desta “outra maneira de ver e sentir” o mundo, natural e humano. Esta área da ciência que se vem impondo na nova era contém alguns conceitos essenciais:

quarta-feira, julho 12, 2006

Apontamentos Junguianos

A Consciência tradicional é maniqueísta e divide as funções psíquicas radicalmente em Bem e Mal, certo e errado, belo e feio. Com isso, a Consciência se torna unilateral, reprime o lado que julga mau e forma uma Sombra intensa no Inconsciente, que é projectada e ataca os outros. Essa é a História ternária e paranóide da Humanidade, na qual o Ego vê o Bem e o Mal nos Outros e não em si mesmo. Arquétipo da Alteridade, um padrão quaternário da Consciência Individual e Colectiva, no qual o Ego percebe a polaridade Consciência-Sombra em si mesmo e no Outro. O Arquétipo da Alteridade é o paradigma do Amor, da Ecologia, da Criatividade, da Social-Democracia e da Economia Sustentável, e permite ver todas as funções psíquicas, actuando ora no Bem, ora no Mal, na Consciência e na Sombra do Indivíduo e da Cultura. Proposta do Junguiano Carlos Amadeu Botelho Byington, médico-psiquiatra, educador e historiador

terça-feira, julho 11, 2006

Apontamentos Junguianos

“ QUERIA TORNAR-SE ANALISTA! “O SENHOR SABE O QUE ISSO SIGNIFICA? significa que deverá primeiro conhecer-se a si próprio para se tornar um instrumento ; SE NÃO ESTIVER EM ORDEM, COMO REAGIRÁ O DOENTE? SE NÃO ESTIVER CONVENCIDO, COMO PERSUADIRÁ O DOENTE? O SENHOR MESMO DEVERÁ SER A MATÉRIA A SER TRABALHADA.” JUNG,C.G. A Prática da Psicoterapia. "MUITO MAIS FORTE DO QUE SUAS FRÁGEIS PALAVRAS É A COISA QUE VOCÊ É. O PACIENTE É IMPREGNADO PELO QUE VOCÊ É – PELO SEU SER REAL – E PRESTA POUCA ATENÇÃO AO QUE VOCÊ DIZ.” JUNG,C.G. Entrevistas e Encontros "NÃO SE DEVE OLHAR UM PACIENTE COMO UM SER INFERIOR QUE FICA DEITADO NUM SOFÁ ENQUANTO A GENTE ASSUME, AO LADO, A POSIÇÃO DE UM DEUS QUE VEZ POR OUTRA SOLTA UMA PALAVRA.[...]DEVE-SE TRATÁ-LO COMO UMA PESSOA NORMAL OU, POR ASSIM DIZER, COMO UM PARCEIRO. ISTO FORNECE A BASE SADIA DE ONDE PARTE O TRATAMENTO.[...] TENHO EMOÇÕES E AS MANIFESTO TAMBÉM. NADA É MAIS IMPORTANTE QUE ISSO: DEVE-SE CONSIDERAR TODA PESSOA REALMENTE COMO PESSOA [...].” JUNG,C.G. Civilização em Transição

Apontamentos Junguianos

“não tenho condições de julgar a totalidade da personalidade que está lá à minha frente. Posso fazer declarações legítimas apenas a respeito do ser humano genérico, ou pelo menos relativamente genérico. Mas como tudo o que vive só é encontrado na forma individual, e visto que só posso afirmar sobre a individualidade de outrem, o que encontro em minha própria individualidade, corro o risco, ou de violentar o outro, ou de sucumbir por minha vez ao seu poder de persuasão. Por isso, quer eu queria quer não, se eu estiver disposto a fazer o tratamento psíquico de um indivíduo, tenho que renunciar a minha superioridade no saber, a toda e qualquer autoridade e vontade de influenciar. Tenho que optar necessariamente por um método dialético, que consiste em confrontar as averiguações mútuas. Mas isto só se torna possível se eu deixar ao outro a oportunidade de apresentar seu material o mais completamente possível, sem limitá-lo pelos meus pressupostos. Ao colocar-nos dessa forma, o sistema dele se relaciona com o meu, pelo que se produz um efeito dentro do meu próprio sistema. Este efeito é a única coisa que posso oferecer ao meu paciente individual e legitimamente.” Jung, C.G. (A Prática da Psicoterapia 1985)

domingo, julho 09, 2006

Fenomenológico-Existencial, onde a Psicologia re-descobre a Filosofia

A Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico-Existencial é oriunda da Gestalt Terapia e da chamada Abordagem Centrada na Pessoa mas também é influenciada pelos movimentos filosóficos da Fenomenologia e do Existencialismo, movimentos estes que se caracterizaram como movimentos de ruptura com certas perspectivas dominantes na filosofia e na cultura da Civilização Ocidental. Assim, para nomear autores de referência para este modelo, teríamos que considerar filósofos como Aristóteles (384 –322 ac), F. Brentano (1838 - 1917) e F. Nietzsche (1844 – 1900); autores fenomenológicos como E. Husserl (1859 – 1938) e Heidegger (1889 –1976); psicólogos da Gestalt como Kurt Goldstein (1878 – 1965) e Max Wertheimer (1880 – 1943); psicoterapeutas fenomenológico existenciais como Medard Boss (1903 – 1990) e Ludwig Binswanger (1881 – 1966), europeus pioneiros que, por sua vez, marcam profundamente a génese e o desenvolvimento, da concepção e do método dos paradigmas de Carl Rogers (1902 – 1987) e de Fritz Perls (1893 – 1970); Kierkegaard (1813 – 1855) que se antecipou a Nietzsche em cerca de quarenta anos, na crítica ao universalismo e ao idealismo hegelianos, em prol da perspectiva existencial de privilegiar a singularidade, da subjectividade, da existência. Ainda que muito importantes, as suas ideias enveredaram por uma perspectiva religiosa ascética. Nietzsche, por sua vez, teve as suas fontes de inspiração nas perspectivas pré-socráticas de privilegiar o corpo, o vivido, e os sentidos. Mais que isto, Nietzsche recupera o sentido de afirmação do corpo, de afirmação do vivido e dos sentidos, mesmo, e em particular, como afirmação do sofrimento e da finitude. Como modo natural de potencialização da vida, e de promoção de uma super abundância das suas forças, pela afirmação da potência do retorno da vida. Nietzsche exercerá uma profunda influência sobre as ideias de Martin Buber (1878 – 1965), de Martin Heidegger, e de um psicanalista nietzscheano, Otto Rank (1884 – 1939). Todos eles Humanistas. No sentido de que buscavam sair da esfera do idealismo e do universalismo hegelianos para recuperar a experiência, a vivência humanas, como referência. Neste sentido, buscavam recuperar o Humanismo dos filósofos do Renascimento, e as perspectivas de valorização do referencial do empirismo, da experiência e da vivência humana dos gregos antigos. São evidentes as origens e as raízes nas ideias de Nietzsche de concepções e de perspectivas de valor relativas à condição humana, relativas à espontaneidade, crescimento, experiência organísmica, auto regulação organísmica, liberdade experiencial, awareness, óbvio, tendência atualizante, afirmação da vida, afirmação da experiência, e a perspectiva artística de criação como critério superior de produção da verdade. Superior à ciência e a um modo científico da existência, uma vez que o modo artístico da existência afirma a vida, e promove a potencialização da vida como potencialização da criatividade. É, assim, na afirmação da concretude da existência, portanto, afirmação que se constitui como afirmação do corpo, do vivido fenomenal pré-reflexivo e dos sentidos, que vai buscar as suas raízes mais profundas a psicologia e a psicoterapia fenomenológico-existencial. Para esta abordagem, de um modo geral, interessa privilegiar conceptual e metodologicamente o vivido, e a constituição dele como referência básica de orientação e de avaliação do comportamento da pessoa. Interessa efectivamente uma identificação da pessoa com o seu próprio vivido, em vez de uma definição de si e dos seus comportamentos a partir de perspectivas conceptuais e abstractas. Partindo do pressuposto de que é esta identificação que permite uma potencialização das forças da existência, a promoção da criatividade existencial e de uma super abundância de forças de vida. A Psicologia e Psicoterapia Fenomenológico Existencial entendeu desde os seus primórdios, em Otto Rank, por exemplo, a importância de abrir mão do poder de diagnosticar na prática psicoterapêutica, a inutilidade e o potencial danoso deste poder, a esterilidade de uma hermenêutica explicativa do cliente. O que também aprenderam os psicoterapeutas fenomenológico-existenciais é que a simples reflexão do cliente sobre a sua experiência, sobre o seu mundo, relações etc., não produzia a desejável mudança terapêutica. Da mesma forma, a simples aprendizagem e elaboração de conhecimento teórico e conceptual, não revelavam valor terapêutico. Muito menos o meramente comportamental, e o técnico. Em contrapartida, a entrega, e a facilitação e potencialização da entrega do cliente às dinâmicas do seu mundo pré-reflexivo, pré-conceptual, fenomenal, a entrega dele à sua experiência, ao seu vivido, aos sentidos e vivências imediatas de seu corpo, possibilitava um enorme potencial de auto-regulação, de auto-equilíbrio, auto-actualização e de mudança terapêutica e existencial. Este modelo propicia a afirmação, expressividade e desdobramento do vivido do cliente e, desta forma, a potencialização das forças activas e da sua criatividade na sua existência.

sexta-feira, julho 07, 2006

A Gestalt-Terapia

A Gestalt-terapia surge no início da década de 50, a partir das reflexões de Friederich Perls, um psicanalista nascido em Berlim em 1893. O primeiro livro publicado por este autor, antes mesmo do nascimento da Gestalt-Terapia, foi "The Ego, Hunger and Aggression"(1942), onde expressa de forma condensada sua crítica à teoria de Freud. A Gestalt-Terapia é uma prática que se orienta pela visão do homem como um todo, não o vendo como um "neurótico" ou como um "esquizofrénico" ou como um "isso" ou "aquilo". A patologia é apenas mais uma das várias partes do todo que aquele indivíduo é, e sua "doença" é encarada como a maneira mais "saudável" que sua natureza encontrou para enfrentar situações insuportáveis ou conscientemente inconciliáveis. Isto não significa que há uma negação do estado patológico, do sofrimento do paciente pelo estado em que se encontra. Somente é feito um novo enfoque, baseado na constatação que - através de tal estado - a pessoa foi capaz de sobreviver e de chegar até ali, ao ponto em que está. E, assim como houve uma necessidade para esta pessoa se organizar desta maneira (independentemente da consciência ou inconsciência dela sobre esta organização). Partindo do pressuposto que cada indivíduo apresenta sua específica organização interna; cada indivíduo é único e inigualável, e o seu funcionamento é sua melhor tentativa de se adaptar às pressões do seu meio. Logo, se houve uma estrutura edificada para lidar com um problema sofrido (ou vários), esta estrutura teve sua necessidade, surgiu para uma função em alguma época e se hoje é tida como uma "doença" é porque sua função não é mais necessária. Com isto, da mesma maneira que houve uma organização específica para gerar o comportamento patológico, parte-se do pressuposto que estas mesmas forças são capazes de se re-organizarem para se adaptarem de uma nova maneira aos requisitos de hoje, ás necessidades do Ser aqui e agora. Assim, o trabalho clínico será voltado para uma ampliação da consciência do indivíduo sobre seu próprio funcionamento, sobre como ele age ou como se bloqueia em sua tentativa para alcançar seu próprio equilíbrio. O foco terapêutico é deslocado das mãos do terapeuta (do pressuposto detentor do "conhecimento") e vai para a relação terapêutica, onde o gestalt-terapeuta trabalhará para que o indivíduo perceba a responsabilidade sobre suas escolhas e - através do inicial apoio do terapeuta - alcance dentro do seu próprio tempo e possibilidades, uma atitude mais autónoma e auto-sustentada. Em todas suas descrições de como um indivíduo se desenvolve, Perls mantém a ideia de que a mudança não pode ser forçada e que o crescimento psicológico é um processo natural e espontâneo. As filosofias orientais, a filosofia Zen em particular, têm muito a nos ensinar a respeito da experiência do nada, positiva e geradora de vida, e a respeito da importância de permitirmos a experiência do nada sem interrompê-la. Para isto, o enfoque do trabalho visará sempre o que o indivíduo traz de uma maneira global (o que sente, o que experimenta, o que pensa, sua postura corporal, sua respiração etc) no momento presente, ou seja no "aqui-e-agora". Considerando o indivíduo como um todo, percebe-se que no que ele "é" se insere tudo o que ele foi. Logo, não há necessidade de sair do presente e partir para um passado que distancia cliente e terapeuta do foco das incertezas emocionais vivenciadas no "aqui-agora". Terapeuta e cliente, então, investigarão juntos como este próprio sabota sua felicidade, a sua saúde ou o seu processo de consciencialização. A Gestalt-terapia é uma abordagem que visa a autonomia (e não a eterna dependência da pessoa a um terapeuta), que visa o contacto humano real (e não contactos frios mediados por intelectualizações ou interpretações inapropriadas), que visa olhar a saúde integral (e não o distúrbio psicológico específico que minimiza o potencial humano) tudo o que você pode ser, se permitir. Assim, os três principais conceitos da abordagem de Perls são o organismo como um todo, o ênfase no aqui e agora, e a preponderância do Como sobre o Porquê. Na psicoterapia de abordagem gestáltica, a meta é que a pessoa venha a conseguir reequilibrar sua própria vida, tomando suas próprias decisões e efectuando escolhas que atendam as suas reais necessidades, partindo do princípio (humanista) que em cada pessoa há as condições necessárias para alcançar o melhor aproveitamento de sua vida. A fuga da consciencialização e a consequente rigidez da percepção e do comportamento são os maiores obstáculos ao crescimento psicológico.

O todo é mais que a soma das partes

A teoria da Gestalt desenvolveu-se como protesto contra a análise atomística vigente no final do século XIX. A análise atomística tentava compreender a experiência da pessoa de forma que os elementos dessa experiência eram reduzidos aos seus componentes mais simples, sendo que cada componente era analisado separadamente dos outros e, a experiência total era entendida como uma soma destes componentes. Uma contribuição importante dos adeptos da Gestalt refere-se à exploração da maneira como as partes constituem e estão relacionadas com um todo. Além disso, a teoria da Gestalt ofereceu algumas sugestões a respeito dos modos pelos quais os organismos se adaptam para alcançar sua organização e equilíbrio óptimos. Um aspecto desta adaptação envolve a forma pela qual um organismo torna suas percepções significativas, a maneira pela qual distingue figura do fundo. A escola gestáltica estendeu o fenómeno figura-fundo para descrever a maneira pela qual um organismo selecciona o que é ou não é de seu interesse num dado momento. A palavra alemã "Gestalt" não tem uma tradução literal para o português, mas contém um sentido de "forma" , de "um todo que se orienta para uma definição", de "estrutura organizada" Deste princípio (ver as coisas como um todo, holisticamente), e considerando ainda importantes contribuições filosóficas, surge um ímpeto transformador em psicoterapia. Assim, com a base empírica da Psicologia da Gestalt com as reflexões da filosofia existencialista, com a base biológica da Teoria Organísmica e com o equilíbrio da filosofia Zen-Budista (entre outras importantes influências), a Gestalt-terapia unificou em seu corpo prático e teórico aquilo que o ser humano mais precisa : ser visto e tratado como um ser humano, e não como um objecto de estudo ou de especulações teóricas

quinta-feira, julho 06, 2006

A Abordagem Centrada na Pessoa

Carl Ransom Rogers nasceu no dia 8 de janeiro de 1902. No seu segundo ano de faculdade começou a aprofundar-se em assuntos religiosos. Durante o curso de pós graduação, embora já cada vez mais distante dos cursos académicos de religião, passou por algumas experiências que o ajudaram a modelar a sua maneira de se relacionar com os outros, e a perceber que trabalhar com as pessoas poderia tornar-se a sua profissão. (o sentido da sua vida) Como psicólogo, trabalhou primeiramente com crianças em Rochester, Nova York, num centro de orientação infantil, onde permaneceu por doze anos, que o ajudaram a compreender o que ele iria denominar mais tarde de Abordagem Centrada na Pessoa, que foi aperfeiçoada através das suas experiências como professor na Universidade de Ohio e, depois, como director de um novo centro de aconselhamento baseado nas suas ideias na Universidade de Chicago, onde publicou Terapia Centrada no Cliente (1951), que continha sua primeira teoria formal sobre a terapia, a sua teoria da personalidade e algumas pesquisas que reforçavam sua conclusão. Foi um dos pioneiros nos movimentos de grupo de encontro, um dos fundadores da Psicologia Humanista, e o primeiro psicólogo a dirigir um departamento de psiquiatria em uma grande universidade (Universidade de Wisconsin). “Sinto pouca simpatia pela ideia bastante generalizada de que o homem é fundamentalmente irracional e que seus impulsos, quando não controlados, levam a destruição de si e dos outros. O comportamento humano é extremamente racional... A tragédia para muitos de nós deriva do fato de as nossas defesas nos impedirem de surpreender essa racionalidade, de modo que estamos conscientemente a caminhar em uma direcção, quando organicamente seguimos outra.” (Rogers, 1969) Uma das características marcantes do pensamento de Carl Rogers é sua confiança no ser humano. Esta marca é aquela que tem sido alvo das críticas mais acirradas, as quais qualificam o pensamento de Rogers como ingénuo e superficial. Ele vem enfatizar a liberdade do homem, a capacidade humana de construir o mundo. Mais do que ser vítima das circunstâncias e condicionalismos externos, o homem tem a possilibidade de escolher, de atribuir sentido ás vivências experimentadas. Isto implica viver, a cada instante, a possibilidade de escolher, entre múltiplos significados, aqueles que atribuiremos à vida em seu movimento incessante. É importante salientar que ainda que se trate de um processo interno da pessoa, a experienciação das vivências (significação) é um processo cuja ocorrência presume a relação com o outro, e com o mundo externo (Umwelt). Daí, a atuação do psicoterapeuta como forma de facilitar o dinamismo do processo de atribuição de significado ou, nos casos mais graves, que caracterizariam o que é denominado de psicopatologia, como meio capaz de criar uma relação que recomponha um processo que, por ter se cristalizado, perdeu sua característica peculiar, e se tornou estático. (experienciar sempre da mesma maneira, mecanicamente) Sua proposta de aconselhamento transformou-se numa prática de psicoterapia; esta por sua vez, veio a tornar-se uma teoria de psicoterapia e personalidade. A teoria forneceu as hipóteses que abriram todo um novo campo de pesquisa. Daí desenvolveu-se uma abordagem para todas as relações interpessoais, que permitisse o resgate da liberdade de escolher significados para serem atribuídos ao que vivenciamos, libertando-nos daqueles significados "socialmente" corretos que impedem o alcançar da nossa plenitude. Experienciar, desta forma, requer que confiemos em nós mesmos, que busquemos, criemos, atribuamos significados diferentes a um mesmo evento. A Abordagem Centrada na Pessoa desenvolveu-se essencialmente a partir das experiências clínicas de Rogers, e mais tarde descobriu paralelos em fontes orientais, no Zen Budismo e nos trabalhos de Lao Tsé.

A Busca do Sentido

A Logoterapia é um sistema teórico – prático de psicologia, criado pelo psiquiatra vienense Viktor Emil Frankl, que se tornou conhecido a partir de seu livro "Em Busca de Sentido" (Um Psicólogo no Campo de Concentração) no qual expõe suas experiências nas prisões nazis e lança as bases da sua teoria. Este psiquiatra nasceu em Viena em 26 de Março de 1905 e morreu em 02 de Setembro de 1997. O termo "logos" é uma palavra grega que significa "sentido". Assim, a "Logoterapia concentra-se no sentido da existência humana, bem como na busca da pessoa por este sentido" (Frankl). "Para a Logoterapia, a busca de sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano... A Logoterapia é considerada e desenhada como terapia centrada no sentido. Vê o homem como um ser orientado para o sentido". (Frankl). O homem sempre procurou dar um sentido à sua vida e aprofundar-se em sua existência. A frustração dessa necessidade é um sintoma do nosso tempo. O sofrimento e a falta de sentido configuram o vazio existencial que muitos experimentam. Frankl não pretendeu "suplantar a Psicoterapia vigente, mas complementá-la e completar também o conceito de ser humano – mais indispensável às ciências do homem do que o método e técnicas correctas". A Logoterapia busca restituir a imagem do homem superando reducionismos, faz uma proposta que não se limita à Psicologia, mas abrange todas as áreas da actividade humana, e busca resgatar aquilo que é especificamente humano na pessoa. Durante a guerra, observou a si mesmo e a outros em situações limite nos campos de extermínio nazis, seu "experimentum crucis", e comprovou a essência do que é ser humano: numa situação desumanizadora, usar a capacidade de transcrever e manter a liberdade interior. Foi considerado o médico da "doença do século XX", decorrente do vazio existencial. Afirmou que "o homem, por meio da sua dimensão espiritual pode encontrar sentido em cada situação da vida e dar-lhe uma resposta adequada". Foi nos Estados Unidos, onde também leccionou como professor visitante nas Universidades de Harvard, Dallas e Pittsburg, que sua figura atingiu celebridade, apesar de suas teses contrariarem as correntes psicanalíticas dominantes. A vida e a obra de Viktor E. Frankl é uma sequência de fatos que se desencadeiam em um testemunho inquestionável do poder desafiador do espírito. Nos mostra como se pode viver humanamente se a busca de sentido é "resolvida". Viktor E. Frankl coloca que a busca de sentido é uma exacta e precisa definição da natureza humana.

sexta-feira, maio 05, 2006

Psicoterapias Corporais - Corpo, Mente e Energia

Esta abordagem foi proposta por Wilhelm Reich (1897-1957), médico vienense e colaborador de Freud que, ao romper com a Psicanálise, criou sua própria teoria e técnica, segundo a qual pensamento e emoção são indissolúveis e influenciam-se mutuamente. Considerado "pai" das Psicoterapias Corporais, Wilhelm Reich entende o ser humano como uma das expressões da energia que chamou orgone, uma energia que preenche todo o espaço cósmico e se expressa em diferentes concentrações, movimento e formas. Aventurando-se na compreensão da sexualidade e psicogênese das neuroses, Reich deparou-se com as dificuldades encontradas por muitos pacientes em obter a "cura" através dos métodos tradicionais de análise. Concluiu então, que se tratavam de resistências provindas do caráter de cada paciente, às quais eram expressas não somente em termos de conteúdo, mas também de forma, através do comportamento típico de cada um, o modo de falar, andar, gesticular, etc. Dessa forma, o trabalho analítico tornava-se mais completo quando o caráter do paciente era analisado como um todo e não apenas a análise do sintoma isolado. Isso levou-o a distanciar-se do papel passivo do analista e a intervir de forma mais activa e directa sobre todos os processos patológicos do paciente. A psicoterapia Reichiana, através de técnicas verbais, corporais e trabalhos com a consciência e imaginação , procura sensibilizar a autopercepção e facilitar a expressão emocional com o objetivo de entender e superar bloqueios, liberando potenciais e fortalecendo a autodeterminação.

segunda-feira, maio 01, 2006

Transdisciplinaridade Holística

Eis um documento precioso, que cito na íntegra: A Carta da Transdisciplinaridade. Trata-se de um documento que visa despertar as consciências para um visão holistica do Ser Humano e acabar com a visão fragmentada e unilateral. A transdisciplinaridade está fortemente correlacionada com a Abordagem Integrativa. Carta da Transdisciplinaridade Preâmbulo Considerando que a proliferação atual das disciplinas acadêmicas conduz a um crescimento exponencial do saber que torna impossível qualquer olhar global do ser humano; Considerando que somente uma inteligência que se dá conta da dimensão planetária dos conflitos atuais poderá fazer frente à complexidade de nosso mundo e ao desafio contemporâneo de autodestruição material e espiritual de nossa espécie; Considerando que a vida está fortemente ameaçada por uma tecnociência triunfante que obedece apenas à lógica assustadora da eficácia pela eficácia; Considerando que a ruptura contemporânea entre um saber cada vez mais acumulativo e um ser interior cada vez mais empobrecido leva à ascensão de um novo obscurantismo, cujas conseqüências sobre o plano individual e social são incalculáveis; Considerando que o crescimento do saber, sem precedentes na história, aumenta a desigualdade entre seus detentores e os que são desprovidos dele, engendrando assim desigualdades crescentes no seio dos povos e entre as nações do planeta; Considerando simultaneamente que todos os desafios enunciados possuem sua contrapartida de esperança e que o crescimento extraordinário do saber pode conduzir a uma mutação comparável à evolução dos humanóides à espécie humana; Considerando o que precede, os participantes do Primeiro Congresso Mundial de Transdisciplinaridade (Convento de Arrábida, Portugal 2 - 7 de novembro de 1994) adotaram o presente Protocolo entendido como um conjunto de princípios fundamentais da comunidade de espíritos transdisciplinares, constituindo um contrato moral que todo signatário deste Protocolo faz consigo mesmo, sem qualquer pressão jurídica e institucional. Artigo 1: Qualquer tentativa de reduzir o ser humano a uma mera definição e de dissolvê-lo nas estrutura formais, sejam elas quais forem, é incompatível com a visão transdisciplinar. Artigo 2: O reconhecimento da existência de diferentes níveis de realidade, regidos por lógicas diferentes é inerente à atitude transdisciplinar. Qualquer tentativa de reduzir a realidade a um único nível regido por uma única lógica não se situa no campo da transdisciplinaridade. Artigo 3: A transdisciplinaridade é complementar à aproximação disciplinar: faz emergir da confrontação das disciplinas dados novos que as articulam entre si; oferece-nos uma nova visão da natureza e da realidade. A transdisciplinaridade não procura o domínio sobre as várias outras disciplinas, mas a abertura de todas elas àquilo que as atravessa e as ultrapassa. Artigo 4: O ponto de sustentação da transdisciplinaridade reside na unificação semântica e operativa das acepções através e além das disciplinas. Ela pressupõe uma racionalidade aberta por um novo olhar, sobre a relatividade definição e das noções de "definição"e "objetividade". O formalismo excessivo, a rigidez das definições e o absolutismo da objetividade comportando a exclusão do sujeito levam ao empobrecimento. Artigo 5: A visão transdisciplinar está resolutamente aberta na medida em que ela ultrapassa o domínio das ciências exatas por seu diálogo e sua reconciliação não somente com as ciências humanas mas também com a arte, a literatura, a poesia e a experiência espiritual. Artigo 6: Com a relação à interdisciplinaridade e à multidisciplinaridade, a transdisciplinaridade é multidimensional. Levando em conta as concepções do tempo e da história, a transdisciplinaridade não exclui a existência de um horizonte trans-histórico. Artigo 7: A transdisciplinaridade não constitui uma nova religião, uma nova filosofia, uma nova metafísica ou uma ciência das ciências. Artigo 8: A dignidade do ser humano é também de ordem cósmica e planetária. O surgimento do ser humano sobre a Terra é uma das etapas da história do Universo. O reconhecimento da Terra como pátria é um dos imperativos da transdisciplinaridade. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade, mas, a título de habitante da Terra, é ao mesmo tempo um ser transnacional. O reconhecimento pelo direito internacional de um pertencer duplo - a uma nação e à Terra - constitui uma das metas da pesquisa transdisciplinar. Artigo 9: A transdisciplinaridade conduz a uma atitude aberta com respeito aos mitos, às religiões e àqueles que os respeitam em um espírito transdisciplinar. Artigo 10: Não existe um lugar cultural privilegiado de onde se possam julgar as outras culturas. O movimento transdisciplinar é em si transcultural. Artigo 11: Uma educação autêntica não pode privilegiar a abstração no conhecimento. Deve ensinar a contextualizar, concretizar e globalizar. A educação transdisciplinar reavalia o papel da intuição, da imaginação, da sensibilidade e do corpo na transmissão dos conhecimentos. Artigo 12: A elaboração de uma economia transdisciplinar é fundada sobre o postulado de que a economia deve estar a serviço do ser humano e não o inverso. Artigo 13: A ética transdisciplinar recusa toda atitude que recusa o diálogo e a discussão, seja qual for sua origem - de ordem ideológica, científica, religiosa, econômica, política ou filosófica. O saber compartilhado deverá conduzir a uma compreensão compartilhada baseada no respeito absoluto das diferenças entre os seres, unidos pela vida comum sobre uma única e mesma Terra. Artigo 14: Rigor, abertura e tolerância são características fundamentais da atitude e da visão transdisciplinar. O rigor na argumentação, que leva em conta todos os dados, é a barreira às possíveis distorções. A abertura comporta a aceitação do desconhecido, do inesperado e do imprevisível. A tolerância é o reconhecimento do direito às idéias e verdades contrárias às nossas. Artigo Final: A presente Carta Transdisciplinar foi adotada pelos participantes do Primeiro Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, que visam apenas à autoridade de seu trabalho e de sua atividade. Segundo os processos a serem definidos de acordo com os espíritos transdisciplinares de todos os países, o Protocolo permanecerá aberto à assinatura de todo ser humano interessado em medidas progressistas de ordem nacional, internacional para aplicação de seus artigos na vida. Comitê de Redação: Lima de Freitas, Edgar Morin e Basarab Nicolescu. (adotada no Primeiro Congresso Mundial da Transdisciplinaridade, Convento de Arrábida, Portugal, 2-6 novembro 1994)

quarta-feira, abril 26, 2006

A Consciência

O principal problema que é apresentado à psicologia é o problema da consciência. A consciência é a forma mais elevada de reflectir a realidade: _ não é dada a priori, muito menos é imutável ou passiva, é construída pela actividade e é utilizada pelo homem para se relacionar com o ambiente circundante, mas também consigo próprio e com os outros, reflectindo tudo o que existe, o que está “dentro” e o que está “fora” Quando o bebé, nasce, não se pode ainda falar em consciência, apesar do potencial inato para a desenvolver ser ilimitado. O potencial “para viver mil vidas”. Para alcançar todo o seu potencial como Ser Humano. Não tendo, inicialmente, sequer a percepção da sua existência física (daí a contínua exploração sensório-motora) é na relação com o outro (figura materna) que ele se percebe, como fonte de iniciativas. Isto está intimamente relacionado com o potencial inato para SENTIR. Apesar da maturação neurológica estar ainda num estado precoce, a ideia de que o bebé não possui vida mental com conteúdo tem sido contrariada recentemente por pesquisa empírica (como no “sentimento de si” António Damásio, 2000) mas também pelas descrições de há muito, produzidas por psicanalistas. A emoção, inicialmente com a vivência de prazer/desprazer, vai ser registada como coerente ou caótica estruturando os primeiros passos da construção do Eu (consciência de si próprio) que começa na construção do seu Eu Físico. Assim, são as vivências de desprazer acumuladas que vão originar bloqueios que, por sua vez, se vão cristalizando, impedindo o Ser de atingir o seu máximo potencial humano. Carl Rogers trouxe-nos a ideia de que todo e qualquer Ser Humano teria este potencial ilimitado para evoluir até ao Ser Pessoa, contudo a realidade mostra-nos que os bloqueios que se vão acumulando originando, o medo, o ressentimento, o criticismo, a raiva, a angústia, o vazio etc... impedem a evolução. Condicionam a forma de SENTIR, logo o crescimento. Rita Mendes Leal afirma que todo e qualquer indivíduo possui um estilo relacional organizado na infância que vai ser a base do seu sistema relacional. Ou seja, partindo do registo das vivências de prazer/desprazer o infante constrói, na relação, os seus significados pessoais. Desta forma, podemos falar de vários níveis de consciência, de um desenvolvimento ou alargamento contínuo ou bloqueado, ao de alguma forma ser impedido o desenvolvimento humano até ao limite do seu potencial. Não se fala aqui apenas do potencial relativo ás capacidades cognitivas, mas também emocionais, relacionais\sociais e até fisiológicas. Pois já percebemos que a ligação corpo-mente é parte integrante do Ser. As relações são assim apontadas como o motor da construção do Eu mas também como a causa dos bloqueios que impedem a contínua evolução da consciência. A ideia de que não há maus filhos à nascença pode aqui ser inferida. Com Vigostsky fica bem patente outro factor de desenvolvimento (ou de bloqueio) no que diz respeito à evolução do Eu. O factor Sócio-Histórico. O Ser humano não existe num vácuo social, mas antes está mergulhado nas instrumentalidades sociohistóricas, que são produto do Homem, mas que também o produzem. Como escreveu Aléxis Leontiev (1972), citado por Quintino Aires, “o verdadeiro problema não reside na habilidade ou da falta de habilidade para a pessoa possuir as aquisições culturais humanas, e de fazer destas aquisições, aquisições da sua personalidade e dar-lhes o seu contributo. A essência do problema é que cada ser humano, cada pessoa tenha a oportunidade prática de seguir o caminho do seu desenvolvimento sem bloquear.” Esta ideia pode ser encontrada em Rita Leal (1997) na sua “theory of liftins the blochade of” Outras abordagens afirmam que o Ser Humano não se resume a corpo + mente. Novas correntes terapêuticas de orientação holística ou integrativa (muitas vezes metidas no saco do esoterismo) falam numa totalidade alargada ao nível energético e espiritual. A energia e a espiritualidade são também parte integrante do Ser. São dimensões de uma mesma realidade. Tal como o corpo e a mente, fazem parte do Ser.

domingo, abril 02, 2006

Energia e Matéria

A humanidade encontra-se hoje numa profunda crise que manifesta como vazio, solidão, medo, ansiedade, agressividade, enfim, uma insatisfação generalizada. 0 Vazio emana do sentimento de impotência, de que pouco podemos mudar na própria vida e sociedade, levando a sensação de que, no final, nada é importante. A solidão exprime a perda de contacto com a natureza e com todos os outros seres, quase já perdemos na totalidade a nossa capacidade de amizade e ternura, não há coragem para o compromisso. O medo é fruto das ameaças objectivas à vida, ao trabalho, à sobrevivência colectiva e individual do género humano. A ansiedade tem origem nesse medo ampliado e imaginado, da ignorância acerca do que fazer, em que crer e no que esperar. A agressividade resultante demonstra a perda do sentido do Self. Uma pessoa, em todos esses estados negativos, percebe a natureza, a vida e o mundo ao ser redor de maneira diferente, morta, muda, sem considerar outras possibilidades possíveis. Mas esta crise tem suas raízes mais profundas, também no sistema socio-económico. Com consolidação da cultura consumista, materialista e dualista decretou-se a "experiência da morte de Deus", já que, muitas vezes, Deus se torna uma mercadoria a ser "vendida" a outros num processo de submissão cultural. O Homem afastou-se de si mesmo, de sua essência divina, e da experiência de vivenciar o sagrado na profundidade do ser humano. Deste processo dicotómico, deste desenraizamento de si mesmo, da natureza e de sua humanidade, surgem e desenvolvem-se inúmeras patologias físicas, emocionais, mentais e espirituais. A cultura ocidental é baseada numa concepção newtoniana, cartesiana, aposta no estudo partes para se chegar ao todo, daí a profusão de especialistas em todos os campos do conhecimento humano. Esta concepção está hoje a ser profundamente questionada, a própria física quântica, através de pesquisas sobre o átomo e a energia nuclear, demonstra que, no nível mais ínfimo, a matéria é, ao mesmo tempo, energia e partícula, espírito e matéria. Assim, tudo o que é material, é simultaneamente espírito e matéria. Esta visão do mundo, nova no ocidente, antiquíssima no oriente, declara que o que existe é Energia, e energia é a realidade básica, que se condensa, se equilibra e emerge com matéria. Einstein elaborou e provou, cientificamente, que a matéria e a energia são conversíveis, intercambiáveis. Energia e matéria são dimensões da mesma realidade.

Saúdo com reverência Mestre Mikao Usui, descodificador do método Reiki, Japão, sec XIX ">http://www.asunam.com/life_of_mikao_usui.htm


quinta-feira, março 30, 2006

Espiritualidade, Metafísica, Sentido da Vida ou simplesmente Existência... Encruzilhada ou "Onde é que está a luz" O caminho a seguir nem sempre é claro. Assim, o método das tentativas e erros, parece ser o indicado. Porém, pode ser possível recorrer ao mapa... A juventude vai ficando para trás, deixando-nos as marcas históricas que ciclicamente tendem a repetir-se, há quem lhe chame personalidade, seus traços, ou ainda, vectores de funcionamento emocional. Considera-se que só há dois caminhos possíveis: o "Bom" (que leva à realização pessoal em sentido lato, à descoberta do sentido da existência individiual e colectiva) e o "Mau" que pode levar a todo o lado... até à fuga! A fuga da procura do caminho, seja ele qual for, seja para onde for, até para a praia...Aqui, como em outros contextos, os fins e os meios estão ligados. Quase como se fossem um só. E são! Quero dizer com isto que o meio (percurso) se torna um fim em si mesmo, e vice versa (quem é que dizia ser "o caminho a verdade e a vida") Seguindo esta linha, pode-se dizer que o que se procura está materializado no próprio percurso. Então, que mapa é possível definir, tendo em conta que, ao contrário dos significados (que são partilhados) o sentido é único (construído por cada pessoa) apesar de ser um só... Um só sentido universal uma só dinâmica, arché, devir, espiral ou como lhe queiram chamar. Os nomes são signos-significado e, como tal não interessam para aqui.Sinceramente só atrapalham, veja-se a rigidificação dos significados partilhados à força, por exemplo na idade média... A intenção inicial até era boa: servir de mapa! Mapa da salvação! Mas a salvação é sentido, não é significado. Não pode, portanto, ser imposta. Mas pode ser sugerida, pode ser descoberta, com ajuda, na relação, ou (mais dificilmente) na introspecção na meditação, na praia...Porque ela está em todo o lado (como dizia, com verdade, o Outro). Não só está fora, como dentro, como entre nós! Descoberta a luz da existência, ela enche e preenche apenas pela sua presença. Não há vazio. Tudo o resto passam a ser detalhes, pormenores, alguns importantes, outros a esquecer. E mesmo os pormenores que se tornam importantes só o são na medida em que fazem parte do caminho. Uma espécie de missão. Uma nova ideia de missão pessoal (dentro de uma lógica monista), onde, o que é melhor para um, é sempre o que é melhor para todos. Não só para todos como para tudo. O chamado "bem supremo" onde o bem estar pessoal e o universal são um só. E todos os caminhos são possíveis... mesmo sem mapa. A respeito do caminho: http://www.pathwork.com.br/pw204.htm

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